A CRISE NÃO É A PROVA D’ÁGUA

O ano de 2015 foi um ano de crise declarada. Escândalos políticos, desemprego e uma desmotivação somada a um sentimento de apatia geral. Todos nós vivemos nossa crise nas mais diferentes proporções e mais uma vez nos sentimos vítimas de sistema pouco humano, pouco justo, pouco colaborativo, pouco inspirador e muito frágil.

Contudo Adriano de Souza e Gabriel Medina nos ajudaram a nos lembrar o que faz de nós brasileiros tão únicos frente o resto do mundo – literalmente. Foi uma aula de tudo que não temos visto nos últimos tempos.

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Escutamos a compaixão das palavras do Mineirinho ao se referir com respeito e admiração ao adversário Mick Fanning e sua trágica jornada durante o ano, aplaudimos Gabriel Medina e seu ressurgimento das cinzas para facilitar a passagem do amigo nas etapas finais em Pipeline com atuações corajosas e inesperadas e nos emocionamos quando nosso campeão compartilhou a história que o levou a conquista e também a tatuagem que referencia o saudoso Ricardinho que teve sua vida retirada brutalmente no início do ano. História trágica que serviu de combustível para motivar nosso atleta a alcançar sua melhor performance, e assim homenageá-lo.

A atuação do surfista Adriano de Souza foi a vitória clássica do esforço sobre o talento e é uma das memóriass que precisamos contar e recontar para todos aqueles que tem o sangue verde e amarelo. Seu estilo nunca foi o mais polido, seu talento não era parte dos comentários gerais e ele sempre se posicionou em um espaço diferente dos seus ídolos nacionais e internacionais, ele não tinha a maestria do emblemático Kelly Slater e nem a estética impressa por Mick Fanning e nunca foi o foco da mídia como os amigos Gabriel Medina e Filipe Toledo – Mineirinho sempre carregou a força de vontade no peito e o seu esforço transbordava claramente em cada manobra. Sua garra foi suficiente para espantar qualquer sintoma de vitimização ou inferioridade digna dos brasileiros e sua luta que se confeccionou durante 10 longos anos é o estímulo que todos nós ansiávamos para voltar a acreditar que nossos limites são proporcionais à nossa capacidade de sonhar.

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A performance dos nossos brasileiros é uma grande oferta de inspiração para as novas gerações. Estamos falando de um grupo de meninos com menos de três décadas vividas que trocaram o hedonismo pela disciplina e optaram por se construir em busca das vitórias sobre o ambiente mais instável que existe – o mar. Como um time eles se propuserem a apoiar o guerreiro individual de cada um para que o mundo soubesse que o nosso país aindatem muito a ensinar. Obrigado Gabriel e Adriano, por nos lembrar que o Brasil ainda sabe fabricar guerreiros como ninguém e PARABÉNS!

Nós precisávamos de um ídolo para torcer e celebrar, mas a verdade é que uma tempestade como a Brazilian Storm não poderia se sustentar durante DOIS ANOS SEGUIDOS se não fosse realmente algo que foge de qualquer lógica e compreensão que conhecemos.

A crise que nos acompanhou esse ano pode ter sido forte e até devastadora, mas ela definitivamente não era a prova d’água, tanto que naufragou – pelo menos temporariamente – nas águas de Pipeline.

“Não existe substituto para o desejo e o trabalho duro e também não existia nenhum competidor tão determinado e apaixonado que se dedicou tanto a essa conquista.”Kelly Slater sobre a vitória do Mineiro no WSL 2015.

Confira a performance do Brasil do Surf World Tour de 2015.

 

 

 

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