ESSE É O DEPOIMENTO DE UM PAI SURFISTA.

Temos um cenário claro quando tudo na sua vida é apenas sobre você, sua prancha e sua vontade de ficar 20 dias jogado em Mentawai… Quem tem um compromisso com o surf vive uma rotina além daquela dos seres humanos normais. Estamos falando de acompanhar o swell, de estar em forma e constantemente na água nas mais diversas condições.

A paternidade chega, e tudo isso pode – e provavelmente vai – mudar.

O surf não permite abandonos temporários e nem “férias” – quando você está fora de forma, você pode até conseguir surfar uma onda decente, ou se conectar com o mar, mas, na maioria das vezes, você ficará com uma sensação de insatisfação, inadequação, e um medo dolorido.

Apesar da certeza de que o novo papai ainda vai surfar e muito, existe um questionamento constante se aquilo tudo poderia ser mais fácil. Como a frequência diminui as experiências se tornam piores: No último final de semana, fui surfar, e me senti ridículo, extremamente ridículo. Eu desejei nunca ter entrado naquele mar… No começo quis culpar o tempo das minhas manobras, os picos imprevisíveis, minha prancha, minha falta de preparo físico… Mas a verdade é muito clara: não tenho mais praticado como costumava. A sensação de inadequação ficou comigo a semana inteira e eu naturalmente fiquei mais irritado que o normal.

Do surf dia dos pais

Eu sei que a paternidade é uma dádiva e sempre me vi como pai. Mas sei também que terei que apressar o esporte que sempre me serviu como válvula de escape para me acalmar. Eu sei que isso me deixará desapontado, triste e insatisfeito. E não quero carregar essa sensação pra casa como uma roupa de borracha molhada e pesada. Não quero reclamar das fraldas apenas porque não consegui surfar nenhuma onda boa nos últimos dez dias.

Viver e surfar onde vivo é um baita compromisso e muitas vezes nem mesmo é divertido: geralmente envolve água fria, condições inconstantes e imprevisíveis, longas horas na estrada e clima severo – tudo que crianças odeiam. Tudo que as crianças não querem. Não é confortável, não é sociável. Pode ser que no longo prazo elas agradeçam, mas no curto prazo, serei o pai mais odiado do mundo.

Existe bastante miséria e incerteza nesse mundo e eu acredito MESMO que o surf pode fazer bem e ensinar muito, mas também sei que meus filhos podem fazer muito mais se puderem estudar e seguir suas próprias vontades…

Apesar dos meus pensamentos esquizofrênicos sobre o surf, ainda estou pensando sobre isso. Eu sei que há um número infinito de plataformas muito mais estáveis ​​do que surfar para construir uma vida, mas ainda tenho momentos em que sinto que tudo é bom com o mundo por conta da minha conexão com a natureza.

E talvez, talvez, talvez, neste mundo de loucura e incerteza políticas, talvez o surf possa ser a ferramenta mais importante que eu posso transmitir ao meu filho ou filha. Gostaria de esperar que assim seja.

Feliz Dia dos Pais – aqueles que assim como eu sempre tentarão levar o melhor que possuem para suas mini-versões e vão errar na tentativa de acertar.

Go For It!

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