NÃO ENTENDA O SURF

Surfistas ou as pessoas que simplesmente tiveram uma pequena amostra do que é deslizar sobre as ondas, seja de pé, deitado, de joelhos e até sem prancha sempre tentaram descrever o que é o surf e como ele é capaz de transcender o esporte em si e se configurar como um estilo de vida.

Mas… Sinceramente? É impossível descrever ou colocar em palavras a sensação sem antes ter provado o verdadeiro sabor da água salgada.

Para você que nunca surfou, seja bem vindo à um mundo líquido, onde a conotação aqui imposta nada tem a ver com superficialidade ou fragilidade e sim com a impossibilidade de contemplação a olho nu.

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Podemos até tentar falar sobre o momento em que você vê a onda lá atrás, sente a adrenalina do seu corpo crescer e censurar qualquer tipo de racionalidade. Pouco antes de se perder na lisergia aquática podemos tentar resgatar a memória quando você sente as pernas bambas com a força da água que faz a prancha tremer, ressignificando o que seus pés conheciam como superfície. E mesmo assim não seria suficiente.

Podemos falar daquela onda, aquela que aumenta tão rápido quanto se aproxima, tão poderosa e perfeita que possibilita um estado de relação rápido porém intenso e uma oportunidade única de sintonia completa com a natureza. Não é possível simular a entrega ao prazer de cruzar uma parede verde e cristalina e produzir ali uma arte absolutamente individual. É o seu nome, sua assinatura e uma certeza no peito de que aquela onda foi concebida especialmente para você.

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As palavras se tornam miseráveis, afinal a ligação entre o surfista e a onda ainda não pôde ser configurada em nenhum tipo de religião, crença ou fanatismo mas com certeza não é algo desse mundo.

OCEAN WORDS

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Nele não se pode ver o fim,
Com sorte, é possível refletir
A busca não cabe a ninguém além de mim
E por isso não paro de repetir
O mar cria ilusões
E da nossa forma acreditamos
Que mesmo longe dos verões
Por nenhum motivo o abandonamos
As ondas fazem as questões
Enquanto tentamos desenhar
Com ou sem condições
Um movimento para eternizar
Com o surf vem a resposta
Não necessariamente positiva
E sempre que a prancha desliza
Não sobra alternativa
Afinal surfar é a adrenalina saborear
Sem medir a energia que vamos entregar.

TODOS OS 50 CAMPEÕES MUNDIAIS DA HISTÓRIA

Temos desde 1964 campeões mundiais de diferentes países, um total de 50 campeões [já quem 1967 não houve]. Dentre eles, em sua maioria Australianos, seguidos por americanos [com grande responsabilidade do grande Kelly Slater], e por Havaianos.

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SURF WORLD TOUR 2016

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A World Surf League divulgou no ultimo dia 20 de Novembro o calendário de 2016 do circuito mundial de surfe.

A temporada terá exatamente as mesmas etapas deste ano. A principal dúvida estava na manutenção do evento em Jeffreys Bay, na África do Sul, após o ataque de tubarão ao australiano Mick Fanning durante a bateria final no campeonato de 2015.

O evento em J-Bay foi mantido como sexta etapa do tour, em julho.

A segurança dos atletas é a prioridade da Liga. Estivemos em constantes discussões com nossos atletas, organizadores e administradores em relação ao futuro desse evento. Fizemos investimentos significativos e estamos trabalhando com firmas especializadas em tecnologia que focam na segurança do atleta e do meio-ambiente marinho, mas ainda não existe uma tecnologia comprovadamente 100% efetiva. Nossos atletas sabem disso” – disse Kieren Perrow, comissário da WSL.

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O Rio Pro, etapa brasileira, segue como quarta parada do ano, marcado para os dias 10 a 21 de maio. O campeonato no Brasil deve trocar as ondas do Postinho, que sofreram neste ano com a água poluída, pelas de Grumari [imagem acima]. A troca ainda não foi oficialmente confirmada, mas estaria ‘99% certa’.

Confira no mapa a baixo, as datas e locais das etapas deste ano.

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DESEJOS DO SURF PARA 2016

O ano acabou e foi bem intenso. E chegou a hora de fazer nossa lista de desejos do surf para que hoje na virada possamos ter em mente tudo que gostaríamos para esse ano que chega.

Desejamos um ano cheio de alegria e felicidade como a dos brasileiros quando terminam uma manobra com excelência e que influencie o mundo a repetir o hábito.

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Desejamos que os fracassos com a força dos caldos – ambos realidade para todos os campeões – sirvam de força para nos levar de volta à remada, sem deixar que o impacto nos enfraqueça. Queremos mais da coragem da Maya Gabeira.

Desejamos um mundo e um país mais forte, de pessoas, políticos e empresários mais disciplinados, comprometidos e tolerantes como nosso campeão mundial Adriano de Souza.

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Queremos viver em um mundo onde a natureza seja a principal entidade de respeito, onde as praias sejam mais limpas, o mar preservado, os animais bem cuidados e consequentemente às relações cada vez mais humanas.

Nosso desejo é que se multipliquem as pessoas que assim como Mick Fanning usam suas perdas para se tornarem mais fortes e deixam as reclamações e lamentações de lado, para poder agir.

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Desejamos sim mais saúde, educação decente e qualificada, desejamos que o surf ganhe mais incentivo e ajude surfistas do país a mudarem sua história e ajudarem suas famílias. Queremos projetos que mudem o mundo, e queremos piscinas de ondas em nossos jardins. Queremos também mais filmes que nos transportem para outo mundo como o premiado VIEW FROM A BLUE MOON, e imagens surreais do monstro Clark Little.

Nesse ano novo, pedimos por menos violência, para que possamos viver mais algumas quedas com pessoas tão fantásticas como o Ricardinho dos Santos.

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Queremos ver nossas crianças inspiradas por ídolos que não se envolvem com escândalos ou vivem o hedonismo mais do que seu comprometimento com o esporte. Queremos ver o surf feminino crescer e as mulheres ganharem ainda mais voz nas águas que ecoam no planeta inteiro. Desejamos doses e mais doses de Silvana Lima para todos.

Queremos a fé em forma de energia, de ser superior, de palavras, de livros ou em qualquer gesto que nos confira a humildade necessária para evitar o desrespeito e nos colocar na rota correta como o Gabriel Medina se propõem.

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Queremos mais projetos de inclusão, queremos mais pessoas longe dos seus celulares e mais próximas das suas paixões, respirando o ar da praia e não do escritório, e também queremos viagens por lugares conhecidos e inóspitos porque a exploração é a melhor e mais sábia forma de presentear a alma.

E já que as guerras são inevitáveis, queremos palcos tão justos quanto o mar, queremos todos reféns da ausência de controle, para que a adaptação e o improviso sejam as palavras de lei. Queremos ver imagens onde fica claro que o principal soldado é o coração e que mesmo em um esporte individual, existe um time sempre jogando junto.

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E por fim nossa gratidão por 2015 é tão gigante quanto as ondas de Nazaré, afinal os primeiros passos para realizar os desejos acima já foram dados.

OBRIGADO 2015, VEM COM TUDO 2016.

RETROSPECTIVA 2015 DO SURF

2015 foi um ano de grandes feitos no surf mundial. Surfistas de todos os cantos do planeta ultrapassaram seus limites, os PROS puxaram a fila dentro da água, exibindo performances memoráveis e, você pode não acreditar até rever, mas até Teahupoo [uma das bancadas mais perigosas do mundo] foi surfada por um homem a bordo de uma motocicleta.

Selecionamos 12 imagens e vários momentos de 2015 para nos levar de volta ao que vivemos durante esse ano. Nossa retrospectiva começa de forma negativa porém honrosa, logo no início do ano perdemos um de nossos maiores heróis: Ricardinho dos Santos, por mais brutal e violenta que tenha sido sua partida, foi sua memória que serviu de combustível para os brasileiros exibirem sua melhor performance no circuito mundial, e na segunda conquista mundial de surf para o nosso país, nosso campeão Adriano de Souza trouxe seu nome à tona em uma emocionante homenagem.

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Foi nesse ano também que se comemorou 20 anos do emblemático Hi-five de Kelly Slater a Rob Machado – momento histórico do tour em Dezembro de 1995 – para os que acompanham os campeonatos desde então e conhecem o épico nome do Free Surfer EX-PRO Rob Machado. E 20 anos após mais um episódio estratégico do nosso 11 vezes campeão do mundo, ele lançou sua piscina de ondas artificiais, a melhor até então criada pelo homem [se é que podemos chama-lo assim] – coincidentemente ou não – um dia depois da consagração do segundo brasileiro campeão mundial.

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A retrospectiva mal começou e já mencionamos Adriano de Souza – o mineirinho – por duas vezes. Sem apegos a cronologia, vale ressaltar que foi nesse ano depois da inédita conquista de Gabriel Medina, em 2014, o Brasil seguiu mandando muito bem no surfe mundial. Agora foi a vez de Adriano de Souza, o Mineirinho, ganhar o título mundial, em Pipeline – Havaí. O sonho foi realizado com a “ajudinha” de Medina, que bateu o australiano Mick Fanning nas semifinais. Mineirinho passou por Mason Ho e disputou a decisão com o compatriota Gabriel Medina levando o troféu para sua família no Brasil depois de uma jornada de 10 anos de tentativa.

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Além da tragédia do início deste ano, ficaremos com a memória da cena quando Mick Fanning foi atacado por um tubarão deixando todos os espectadores apreensivos em Jeffreys Bay – África do Sul. Tudo parecia ter voltado aos eixos tempos depois, até que o atleta foi surpreendido com a morte de seu irmão mais velho, Peter [segundo irmão morto em sua trajetória] antes de entrar no mar para a terceira fase da última etapa do Circuito Mundial, Pipeline, no Havaí.  Mick é um dos exemplos de força para todos que competiram e que acompanharam o campeonato neste ano e nos próximos.

NICARÁGUA – DIA 2

Foi um dia fraco de ondas, mas bom para se soltar.

Praia do Rancho Santana

Acordamos cedo sedentos para fazer a primeira queda da trip. Na frente do hotel Rancho Santana, o mar não estava bom, porém surfamos por lá mesmo, o calor estava forte e vontade de cair logo na água foi maior do que a necessidade de ondas perfeitas.

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Depois do surf, fomos dar uma volta pela cidade, era um dia que não parecia ter nada de muito especial. Mas não é em todo lugar do mundo que se encontra um macaco sentado numa mesa de bar. Não tivemos duvidas, logo abrimos a primeira cerveja Tonhã para terminar o dia, ja que pela previsão ondas boas viria só partir do 4º dia de trip.

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Tudo começou ontem

5 FORMAS DE HONRAR O SURF SEM SUBIR NA PRANCHA

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1. CUIDAR DAS PRAIAS

Nada como preservar o habitat natural do nosso esporte. Hoje, mais do que em qualquer outra época, é claro para qualquer frequentador o quanto um único papel que não foi para o lixo pode deixar nosso mar e nossas praias menos limpas. A melhor forma de conscientizar as pessoas ao nosso redor não é com xingamentos e sim com um bom exemplo, de recolher o lixo alheio para jogar fora mais tarde ou mesmo levar na bolsa de praia uma sacola plástica para que os pequenos gestos se transbordem em hábitos. Lugares como Equador e Austrália têm suas belezas preservadas porque aqueles que jogam resíduos ou fazem consumo de alimentos e bebidas nas praias são severamente multados. Além disso, o cuidado pode acontecer a distância: em sua própria casa fique atento com o descarte do lixo e reciclagem – afinal quando chove, todo lixo descartado inadequadamente segue pelos bueiros até os nossos oceanos!

2. CONTRIBUIR COM PROJETOS DO SURF

Outra maneira eficiente de honrar o surf é auxiliando [mesmo com o mínimo possível] projetos ligados direta ou indiretamente ao esporte. Doe agora mesmo ou já agende-se para participar de mutirões de limpeza e outros trabalhos voluntários. Alguns projetos [nacionais e internacionais] para você já conhcer:

3. DOAR DE ITENS DO SURF

Outro movimento que pode fazer toda a diferença é doar pranchas mais antigas para os iniciantes, ou vender a bons preços o que também pode mudar uma história. Recentemente nosso segundo brasileiro campeão mundial, Adriano de Souza, declarou durante seu discurso da vitória que sua primeira prancha custou 30 reais [o equivalente a 7 dólares]. Dá pra acreditar que não precisamos de muito para começar? Siga o exemplo e doe pranchas, astrodecks, streps ou qualquer outro objeto que não vá fazer falta e quem sabe assim não poderemos completar as lacunas referenciais do nosso país com novos ídolos.

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